terça-feira, 8 de novembro de 2016

4 years without you


O que eu dava para te voltar a ter...
Se me perguntarem como foi eu não me lembro. Se me perguntarem o que eu senti, eu não me lembro. Se me perguntarem como eu reagi, eu não me lembro. Se me perguntarem como a mãe reagiu, só me lembro de a ouvir gritar no meu quarto e de olhar para um bombeiro e ele estar a chorar e eu ter de assumir as rédeas da casa, de me assegurar que os sobrinhos para quem tu eras o tio perfeito não soubessem de tudo na escola e eu não estar lá para os proteger; de ter de ser eu a ligar as 6h da manhã à tua irmã a dar a notícia e ela pensar que eu estava a brincar. Disto eu lembro-me.
Se chorei? Não sei, só sei que hoje choro mas sem a mãe saber.
Sabes do que me lembro também? De no dia anterior me ires buscar. Chovia torrencialmente e tu foste buscar-me, com um guarda-chuva, onde a tia me costumava deixar, ias sempre. Depois de ti nunca mais ninguém me foi buscar.

Sinto a tua falta.



sábado, 25 de junho de 2016

shit

Há uns meses, uns largos meses, ou se calhar não foi assim há tanto tempo, mas pronto... Eu, os meus colegas de casa e uns amigos estávamos a jogar a um jogo tipo o "verdade e consequência", havia a garrafa para girar e tal, mas em vez de sermos nós a perguntar, a pessoa tirava um papel de um vaso (sim um vaso de flores, mas vazio), e via a pergunta que lhe saia, sem ser a típica "É verdade que(...)", mas do género "se entrasses na casa dos segredos qual era o teu segredo?". 
As perguntas éramos nós a escrever, e como eu sou muito inteligente e me armo um bocado, escrevi perguntas difíceis e que sabia que provavelmente iam mexer com algumas emoções, o que não me lembrei é que essas perguntas também podiam sair-me a mim.... Que inteligente Maria....
A verdade é que num momento do jogo saiu-me uma "pergunta", escrita por mim: "Uma coisa que ninguém saiba sobre ti", e eu a pensar para mim "Foda-se". Comecei a inventar e a mandar as minhas piadas até que eles disseram "Anda lá Maria, tem de haver alguma coisa..."
E a verdade é que há e eu ao tentar dizer fiquei num pranto de lágrimas e calei-me, é caso para dizer que o feitiço se virou contra o feiticeiro. 


Eu tinha uns 15 anos, estava de férias, era verão e a minha mãe acordou-me cedo para ir ajudá-la no campo, foi ao pão e eu fiquei a vestir-me e a tomar o pequeno almoço e o meu pai tinha ido trabalhar. Bateram à porta e eu fui abrir, era um senhor, nosso conhecido, que vinha trazer cerejas que tinha andado a apanhar na nossa cerejeira, tudo bem... 
A verdade é que eu não sei como aconteceu, as pessoas têm muito a mania de dizer "és tão forte", não eu não sou forte, pelo contrário, eu sou tão fraca e tão cobarde, que eu simplesmente bloqueio as coisas com as quais não consigo lidar, eu só me lembro que eu fiquei de costas para o senhor (se assim se puder dizer...), com ele a agarrar-me os braços com uma mão e com a outra a apalpar-me as mamas e ainda tem a lata de me dizer "são maceinhas", queria cuspi-lo naquele momento, mas calei-me, sabia perfeitamente que ele não ia fazer-me nada porque estávamos à porta de minha casa, era uma aldeia e as pessoas estão sempre a passar, para além do mais ele sabia que a minha mãe estava a chegar. 
Largou-me e disse "sempre que me vires vens dar-me um beijinho, ouviste?" eu assenti com a cabeça... "Não contes a ninguém, está bem?"- disse ele, eu só queria que ele fosse embora e disse-lhe que sim. quando ele saiu eu chorei tanto e obviamente contei à minha mãe, ela não teve propriamente a reação que eu mais esperava, abraçou-me mas pediu-me por tudo para eu não contar a ninguém, muito menos ao meu pai porque ele matava-o e sim, o meu pai seria capaz disso, eu conhecia, ou conheço (ainda não sei muito bem como hei-de conjugar o verbo), o meu pai, ele era muito impulsivo então no que toca à sua única filha, a sua menina ele virava meio mundo se fosse preciso...
E eu calei-me, só a minha mãe, uma amiga, o D, e uma crush da altura, é que sabem...
No entanto, a minha mãe nessa altura ficou super protetora, sempre que eu ficava sozinha em casa ela dizia "tranca a porta e só abres quando for eu ou quando ouvires o pai a chegar", ainda é protetora... Quando saio à noite faz mil e uma recomendações, quando fico em Aveiro ao fim de semana é a mesma coisa, é mãe e eu acho que foi a escolha certa.
Eu fingi que nada tinha acontecido, ainda vou lidando com os meus fantasmas, com sonhos, com manias da perseguição, com ataques de pânico, ataques de choro, mas Deus lá se encarregou de castigar o homem, mesmo ele sendo de lá só o vejo prai 1 vez por ano e diz-se que ele está muito doente (que Deus me perdoe, mas não lamento nem por um bocadinho)...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

desculpas....




Ontem, depois de chegar de casa do d, a minha mãe já estava na cama e fui dizer-lhe que tinha chegado, quando me aproximo dela e me sento na cama dela vejo que ela tem os olhos vermelhos e cheios de água e pergunto-lhe: "oh mãe estiveste a chorar" e ela responde "não, os olhos estavam a arder-me por isso é que vim para a cama", típica resposta de quem esteve a chorar e quer disfarçar....